A Assunção de Maria nas artes

A Igreja no Brasil celebra a Solenidade da Assunção de Maria neste domingo. Um tema muito caro aos artistas de todas as épocas, com diversas sensibilidades e enfoques em desenhos, pinturas e esculturas.

As Sagradas Escrituras nada nos dizem sobre a morte e a assunção de Maria ao céu. Ainda assim, o tema inspirou numerosas obras de arte em várias épocas. Quais foram as referências para os artistas?

As fontes iconográficas

É preciso voltar aos textos apócrifos do Transitus Virginis Beatae de São João Apóstolo, ou de José de Arimatéia, onde é narrado que um anjo anuncia a morte da Virgem, do sorriso ao momento da passagem, da passagem do corpo até chegar a Cristo. Também trazem detalhes iconográficos os artistas, depois  do século V, os textos patrísticos de Santo Efrém, Timóteo de Jerusalém e Epifânio, e mais tarde, na Idade Média, a  Lenda Dourada ou Legenda Áureade Jacopo da Voragine.

Dormição e Assunção, Oriente e Ocidente

A dormição é no Oriente a celebração mariana por excelência e sua representação também é adotada no Ocidente. A iconografia é a de Maria no leito de morte, cercada pelos apóstolos e Cristo que segura a sua alma, representada por uma criança em faixas.

Exemplos no Ocidente do século XII são os tímpanos marianos das catedrais francesas Di Bourges, Chartres e Notre Dame. O esboço da Assunção é, em vez disso, tirado da Ascensão de Cristo.

Entre os séculos VIII e IX, Maria, em plena figura, aparece em uma redoma, enquanto é transportada para o céu pelos anjos.

Dormitio oriental no Ocidente é despojada da hierática bizantina, funde-se com o tema da Ascensio Virginis e se enriquece com representações do túmulo vazio, cheio de flores, e de Maria que dá uma faixa a um descrente São Tomé.

Cimabue, Tiziano, Correggio: a Assunção, inspiradora para a arte de todos os tempos

Na Itália é Cimabue em Assis a colocar lado a lado Dormição e Ascensão, introduzindo na amêndoa de luz, Jesus que abraça carinhosamente a Mãe.

A combinação das cenas retorna a Roma nos mosaicos de Santa Maria Maggiore e Santa Maria in Trastevere, chegando então no século XIII  à Toscana. Em Siena, o centro da devoção mariana, Taddeo di Bartolo introduz o elemento de Jesus que segura Maria, puxando-a para fora do túmulo.

A cena Assunção alarga para o estupor e o sentimento de perda dos Apóstolos ao redor do túmulo vazio no Renascimento, como testemunha a mesa de Cortona de Luca Signorelli.

Estilo e iconografia são renovados na mais famosa obra-prima dedicada à Assunção, pintada por Ticiano para a igreja dos Frari, em Veneza. As cores vivas e o movimento ascensional da Virgem vestida de vermelho, levada sobre uma nuvem ao céu, conferem uma grande dramaticidade à composição.

Revolucionário também a cena “de baixo para cima” realizada com maestria de perspectiva por Correggio na cúpula da Catedral de Parma. Maria, Mãe de Deus, aquela que não conheceu a corrupção do sepulcro, continuou a inspirar a arte, mesmo em épocas recentes: o gênio criativo realizou assim uma síntese extraordinária entre liturgia, tradição, hagiografia e espiritualidade mariana.

Paolo Ondarza 

Vatican News 

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O clube do carimbo e o auge da degradação sexual – A resposta católica, a castidade não mata ninguém. O “clube do carimbo”, sim.

“Enquanto o Catecismo da Igreja diz que os homossexuais “devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza”, a nova moda LGBT apregoa a disseminação de um vírus mortal, em nome de um “prazer incontrolável”. “Por isso, Deus os entregou a paixões vergonhosas” (Rm 1, 26)”.

A cruel e assustadora história do “clube do carimbo”, o grupo homossexual que dissemina o HIV propositalmente em casas noturnas.

Todas as épocas de acentuado declínio social estão marcadas por uma exploração desmedida da sensualidade. A corrupção moral foi a principal responsável pela queda do Império Romano, dizem os historiadores [1]. A banalização do homem tornou os romanos insensíveis a qualquer apelo da razão, abrindo caminho para o domínio bárbaro. Isso porque o ser humano, quando abandonado às suas paixões, fica incapaz de amar, isto é, enxergar o outro como pessoa. Uma sexualidade desregrada vê nos corpos instrumentos de prazer, objetos descartáveis sempre ao alcance dos desejos mais pervertidos da imaginação. Coube à Igreja a tarefa de restituir a dignidade humana frente a uma cultura de morte instalada na medula da sociedade.

Os Padres da Igreja sempre entenderam a união conjugal como uma relação em que se procura o bem do outro. O vínculo entre marido e mulher está radicado muito mais em um “empenho para com a outra pessoa”, que em um sentimento vago ou em uma atração psicofísica. É justamente o que recordava São João Paulo II ao Tribunal da Rota Romana, em um discurso de 1999:

“O simples sentimento está ligado à mutabilidade do espírito humano; só a atração recíproca, depois, muitas vezes derivante sobretudo de impulsos irracionais e às vezes aberrantes, não pode ter estabilidade e, portanto, está facilmente, se não de maneira fatal, exposta a extinguir-se.”

O matrimônio, embora também esteja ligado ao sentimento, fundamenta-se no compromisso do amor, de onde nasce a sua indissolubilidade. “A caridade jamais acabará”, lembra o apóstolo (1 Cor13, 28). E esse amor conjugalis que “tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” é a razão pela qual marido e mulher são capazes do sacrifício mútuo pela salvação da família.

A cultura hodierna, por outro lado, tende não somente a negar esse amor, como a ridicularizá-lo de todas as maneiras. Em nome de uma pseudoliberdade, a sociedade é induzida a considerar o corpo algo desprezível, “colocando-o, por assim dizer, fora do ser autêntico e da dignidade da pessoa”. “O seu pressuposto — comenta o Papa Bento XVI — é que o homem pode fazer de si o que quer: o seu corpo torna-se assim uma coisa secundária, manipulável sob o ponto de vista humano, a ser utilizado como se deseja”. Praticamente, todos os relacionamentos modernos — uniões livres, “casamentos” entre pessoas do mesmo sexo, namoros coloridos etc. — estão embasados nessa visão unilateral do “prazer sem freios”. Não se busca o bem do outro, mas a autossatisfação imediata. Trata-se de sexo, não de amor.

Ora, não é preciso muito esforço para perceber as consequências nefastas disso tudo. “A crônica quotidiana — falava João Paulo II no mesmo discurso à Rota Romana — traz, infelizmente, amplas confirmações acerca dos miseráveis frutos que essas aberrações da norma divino-natural acabam por produzir”.

Há alguns dias, um jornal de grande circulação no país comentava o caso de “homens que passam o HIV de propósito”. Segundo a reportagem, esses indivíduos se reúnem em blogs e outros sites da internet para darem dicas de como infectar o parceiro sexual propositalmente. “Não fez ainda? Faça, pois é bem provável que já tenham feito com você”, incentivava um desses sites, ensinando a furar a camisinha durante o ato sexual. A prática tem o nome de bareback, que no linguajar homossexual significa “sexo anal sem camisinha”. O termo originalmente vem do inglês e quer dizer “cavalgar em um cavalo sem cela”. Em São Paulo, diz o jornal, uma casa noturna dedicada ao sexo gay chega a reunir mais de cem homens por dia, muitos adeptos do “clube do carimbo”, como se chama o grupo dedicado a retransmitir o vírus da Aids. “Carimbar” faz referência direta à contaminação.

Um dos entrevistados da matéria justifica seu comportamento assim: “É um prazer incontrolável. Sem a camisinha o meu prazer triplica. Eu odeio a camisinha”. O rapaz é empresário, soropositivo, tem 36 anos e frequenta casas noturnas, embora nunca se relacione sem avisar o parceiro sobre sua doença, garante. De acordo com o jornal, o “clube do carimbo” deve virar uma tendência no meio LGBT em dois ou três anos. “Hoje, a gente vive o auge dessa prática da contaminação”, informa outro entrevistado. As orgias, comumente chamadas de “roleta-russa”, mexem com o fetiche e a adrenalina, explicam os participantes; por isso, têm se tornado tão comuns. Há também uma falta de perspectiva somada a um sentimento libertário. O resultado: entre 2003 e 2013, o índice de infecção por HIV no meio homossexual aumentou para 29,1%; para os héteros, a variação foi de 1,7%.

Repetir o ensinamento católico acerca disso tudo é chover no molhado. O fato, porém, expõe diante dos olhos do público qual movimento é verdadeiramente homofóbico. Enquanto o Catecismo da Igreja diz que os homossexuais “devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza”, a nova moda LGBT apregoa a disseminação de um vírus mortal, em nome de um “prazer incontrolável”. “Por isso, Deus os entregou a paixões vergonhosas” (Rm 1, 26). Os efeitos insidiosos da cultura da camisinha, do sexo livre e da libertinagem podem ser reconhecidos por qualquer pessoa de bom senso. Essa cultura de morte não procura o bem do outro, mas se desfazer dele como um lixo, como se descarta a seringa de uma droga qualquer após o uso. A Igreja, sempre na contramão das falsas ideologias, crê na sublime vocação do homem, tenha ele ou não a tendência homossexual, chamando-o a amar verdadeiramente: “Pelas virtudes do autodomínio, educadoras da liberdade interior, e, às vezes, pelo apoio duma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem aproximar-se, gradual e resolutamente, da perfeição cristã.” A castidade não mata ninguém. O “clube do carimbo”, sim.

Não se enganem: nenhum ser humano foi feito para viver como um brinquedinho de almas pervertidas. Nenhum ser humano foi feito para servir a “surras” e “pauladas”, como sugere a mídia nestes dias cinzentos, nem para bareback, “clubes do carimbo”, “roletas-russas” ou outras práticas suicidas.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere – Padre Paulo Ricardo

Referências

Cf. Daniel-Rops. A Igreja dos Apóstolos e dos Mártires. Quadrante: São Paulo, 1988


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